A influência familiar no hábito alimentar infantil

A influência familiar no hábito alimentar infantil

A influência familiar no hábito alimentar infantil

A importância dos hábitos alimentares saudáveis, para o crescimento e desenvolvimento adequado da criança, é admitido atualmente como algo de extrema importância. Esses hábitos que influenciam a alimentação infantil são adquiridos através de diversos fatores, como os de origem econômica, os socioculturais, os psicológicos, os emocionais e os familiares.

Com essa perspectiva, o ambiente familiar se torna o primeiro educador e influenciador dos hábitos e comportamentos alimentares. Desde o nascimento, e nos primeiros anos de vida, um dos principais eixos de interação entre pais e filhos é a alimentação, tendo seu início com a amamentação. Aos seis meses, o leite materno já não supre as demandas metabólicas para o desenvolvimento da criança, passando a ser necessária a introdução da dieta complementar. E é neste momento em que se inicia o processo de conhecimento dos sabores, texturas, preferências e aversões, e tantos outros aspectos nessa jornada alimentar. Vale apontar ainda a influência que a cultura do grupo social em que a criança está inserida exerce em suas escolhas alimentares.

Pesquisas apontam que determinados comportamentos dos cuidadores podem acarretar em consequências negativas neste processo. Como exemplo, tem-se que a imposição às crianças para comer determinados alimentos está associada à diminuição do consumo e até mesmo à rejeição destes alimentos. Também pode ser percebido que a ideia do possível controle do apetite da criança, através de restrições, faz com que se altere sua capacidade fisiológica de auto regulação do eixo fome e saciedade, gerando descontrole e voracidade alimentar, podendo acarretar, no futuro, sobrepeso ou obesidade. E ainda, que não havendo hábitos e ambiente familiar que sirvam de base e exemplo para as crianças, não haverá bons resultados e adesão às mudanças.

Em pacientes oncológicos isso se torna ainda mais importante, pois se sabe que o tratamento, muitas vezes, traz consigo diversos sintomas que interferem diretamente em seu estado nutricional. O cuidado e atenção dos pais frente às náuseas, enjoos e alterações do apetite, por exemplo, respeitando os momentos de melhor aceitação alimentar dos seus filhos, torna as refeições mais agradáveis e suaves. Além disso, a adesão à nova dieta se torna mais fácil quando a família também adere à nova realidade alimentar do paciente, trazendo um reforço positivo quanto à pertinências destes novos hábitos para melhores resultados do tratamento.

Desta forma, percebe-se que a atuação do nutricionista transcende aos cuidados exclusivos com os pacientes, sendo de extrema importância as orientações e a educação nutricional, também daqueles que fazem parte do convívio rotineiro da criança, contribuindo assim para seu crescimento e desenvolvimento o mais saudável possível.

  • Escrito por Priscylla Kelly Abrantes – Nutricionista – CRN 14096.

FONTES:

  • RAMOS, MAUREM; STEIN, LILIAN M. Desenvolvimento do comportamento alimentar infantil. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 76 (supl.3), p. 229 – 237, 2000.
  • RODRIGUES, VANESSA MELO; FIATES, GIOVANA M. R. Hábitos alimentares e comportamento de consumo infantil: influência da renda familiar e do hábito de assistir à televisão. Revista de Nutrição, Campinas, v.25(3), p. 353 – 362, maio/jun. 2012.
  • VIANA, V.; CANDEIAS, I.; REGO, C.; SILVA, D. Comportamento alimentar em crianças e controlo parental: Uma revisão da bibliografia. Revista da SPCNA, v. 15, n. 1, 2009.
  • COSTA, MARIA DA GRAÇA F. A.; et al. Conhecimento dos pais sobre alimentação: construção e validação de um questionário de alimentação infantil. Revista de Enfermagem Referência, v. 3, n. 6, 2012.
  • VITOLO, MÁRCIA REGINA. Formação dos hábitos alimentares da Infância. In: VITOLLO, MARCIA REGINA. (Org.) Nutrição: da gestação ao envelhecimento. Rio de Janeiro, Rúbio, 2015, p. 204 – 206.